A nossa história começou com a ideia do meu nascimento, quando em meio à muitas dificuldades de uma família de muitos filhos, eu chegaria em sétimo lugar com o nome de Helena, nome escolhido por ele baseado na mitológica Helena de Tróia.
Minhas lembranças são profundas e sempre doces com significados que vão muito além.
Poderia ficar aqui citando inúmeras situações simples, cotidianas, mas para retratar nossa relação, basta algumas.
Lembro-me do carinho e paciência em explicar os meus "porquês" (que eram muitos...), de ensinar como usar minha memória a meu favor, como ser cuidadosa com minhas coisas dando o devido valor, não tanto ao custo mas ao empenho utilizado no ter.
Lembro-me também do seu empenho em cuidar pessoalmente do meu material escolar, revisando meus cadernos, apontando meus lápis, achando uma alternativa criativa para reaproveitar minha pasta para o próximo ano, e isto tudo à noite, quando depois de um dia cansativo de trabalho e estudo ainda o fazia.
Não posso deixar de lado um episódio que traz uma das maiores lições da minha vida, o da superação.
Fui uma criança extremamente tímida, de não falar mesmo e ainda por cima me esconder. Mesmo assim ele me arrastava incansavelmente como companheira em eventos do trabalho.
Um dia resolveu que eu faria ballet. Fui bem, até saber que todo aquele treino seria mostrado para o público. Aos seis anos tive a primeira e apavorante apresentação pública, e agora Helena?
Pois bem, o tema era da Bailarina e o soldadinho se chumbo...e eu seria um dos muitos soldadinhos. Lembro-me do uniforme que era padrão, mas o chapéu deveria ser adquirido separadamente. Não lembro por qual motivo ele quis fazer o tal chapéu....e o fez com toda sua habilidade.
Quando vi o chapéu pronto, fiquei muito orgulhosa e certa que seria um sucesso. Chegado o dia da apresentação qual a minha surpresa...o meu era o mais lindo e perfeito, o legítimo chapéu do soldadinho da história, mas o único diferente, e muito diferente. O pavor tomou conta de mim e lá veio ele com a sabedoria de sempre, me convencendo a não desistir só por ter o chapéu mais lindo de todos e de não pensar que só porque o meu era diferente era o modelo errado. E assim foi a primeira de muitas apresentações.
De tudo ele comigo tentava...bicicleta, patins (nunca aprendi muito bem), persistente era ele.
Já com meus 8 anos, tive minha primeira experiência de andar de ônibus pela cidade, só que sozinha para desespero da minha mãe, e advinha quem foi o mentor? Ele, é claro. Me colocou no ônibus e me orientou onde descer e o que fazer caso me perdesse...e eu me sentindo segura, independente e capaz...fui. Lembro-me perfeitamente do meu sentimento de liberdade deste dia. Poucos anos atrás ele confessa que jamais me deixou sozinha no ônibus e que me acompanhou escondido, me observando até meu destino.
Certa vez, tínhamos uma horta em casa e todos os domingos era dia da terapia com a terra e lá estava eu e ele. Hoje quando sinto o cheiro da rúcula, recordo daqueles domingos...
Ele sempre incentivou a pessoa que sou hoje, através da sua presença incansável, dos mínimos cuidados ao longo da minha infância, do carinho, da atenção, da proteção sem super proteção.
Dele além de todas essas doces lembranças, herdo também sua sensibilidade, bom senso e criatividade.
Sou tão grata por tudo, mas principalmente grata à Deus por te fazer o meu PAI.
Fico muito feliz ao descobrir que esta essência paternal ultrapassa gerações e padrões. Que em meio à tanto desamor ainda exista esta capacidade de doação, de aprendizado mútuo.
O fotógrafo Timothy Archiebald é um dos mais lindos exemplos disso. Ele mostra que mesmo perante à frustração de não conseguir mudar a realidade de seu filho autista, busca uma forma genial de captar a essência e o universo de Eli, o retratando através de uma série de imagens cotianas e emocionantes.
Em nome deste amor incondicional, esse pai hoje não se preocupa tanto com o diagnóstico e sim com o que realmente importa: a relação dos dois.
O fotógrafo Timothy Archiebald é um dos mais lindos exemplos disso. Ele mostra que mesmo perante à frustração de não conseguir mudar a realidade de seu filho autista, busca uma forma genial de captar a essência e o universo de Eli, o retratando através de uma série de imagens cotianas e emocionantes.
Em nome deste amor incondicional, esse pai hoje não se preocupa tanto com o diagnóstico e sim com o que realmente importa: a relação dos dois.
Nenhum comentário:
Postar um comentário